Sala de aula invertida: quais as diferenças da metodologia tradicional?

28 setembro, 2018

Por que utilizar a sala de aula como local de exposição de conteúdo? Já pensou nela como um local de discussões e troca de conhecimento? Esta é a proposta da sala de aula invertida.

O que você vai aprender com esse conteúdo:
1. A metodologia ativa
2. Como surge a sala de aula invertida?
3. Diferenças com o método tradicional
4. Vantagens da metodologia
5. Como aplicar na sua IES
6. Papel do professor na sala de aula invertida
6. Dicas para aplicação

Metodologia ativa de aprendizagem

Em resumo, a ideia é que os alunos aprendam o conteúdo em casa e no momento presencial, participem de atividades diversificadas. Tudo isso estruturado a partir do conceito de metodologia ativa.

Nos últimos 30 anos, a educação vem passando por constantes transformações. São decorrentes, principalmente, da era digital e da popularização do acesso ao conhecimento. Em um mundo hiperconectado, é natural, sobretudo, o surgimento de novas demandas. Os hábitos, interesses e necessidades dos alunos estão incluídos nesse cenário, fazendo com que o mercado educacional precise evoluir.

As metodologias de aprendizagem ativa estão entre as principais ferramentas para promover a modernização do ensino. Entre as várias metodologias possíveis, um modelo amplamente utilizado é a sala de aula invertida ou flipped classroom. O conceito, que não é novo, passou por uma transformação, tornando-se acima de tudo um dos meios mais eficientes para alçar o aluno ao centro do processo aprendizagem e construção de conhecimento.

Leia também:
:: Metodologias ativas: o que são, quais as mais famosas e como aplicar

Como surge a sala de aula invertida

A primeira vez que a experiência do tipo ocorreu foi em 1996, na Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Os professores observaram que o modelo de ensino tradicional era incompatível com o estilo de aprendizagem de alguns alunos e decidiram modificar o processo.

Em vez de os conteúdos serem apresentados em sala de aula, eles eram fornecidos para que os alunos estudassem em casa – criando uma “inversão” da dinâmica tradicional. Assim, o tempo em sala de aula passou a ser usado para a realização de outras atividades criativas, que incentivassem os estudantes a compartilhar suas construções individuais sobre tema.

sala de aula invertida grafico

Fonte: Google Educator

A metodologia se assemelha ao uso de debates e resoluções de problemas em grupo. Ou seja: se antes a conversa paralela entre os estudantes era um problema, agora ela se transformava em parte do processo educativo. Ao buscar uma solução coletivamente, os alunos demonstravam o quanto estavam engajados em seu próprio aprendizado.

Atualmente, o flipped classroom é um dos modelos de aprendizagem ativa mais populares, apreciado tanto por alunos quanto por professores.

Diferenças entre a sala de aula invertida e a tradicional

A principal diferença entre as duas formas de aprendizagem é que na sala de aula tradicional, a realização de atividades e exercícios são direcionados pelo professor. No caso da sala de aula invertida os alunos ficam em grupos de trabalho discutindo o que já foi estudado fora da sala de aula. Assim o professor tem um papel de facilitador e mediador, fomentando a discussão e não de protagonista.

sala de aula invertida estudo

Foto: Pexels

Vantagens da metodologia

A vantagem de inverter a sala de aula é a autonomia que é dada ao aluno. Nesse sentido, eles vivenciam os problemas e discutem a melhor forma de resolvê-los. Usam na atividade prática o entendimento de conceitos e definições.

Em comparação com um espaço de sala de aula tradicional (um aluno atrás do outro), este não promove uma interação colaborativa entre os alunos, fazendo com que eles não se enxerguem e dificultando a interação e a comunicação em um debate, por exemplo. Em síntese, na sala de aula invertida, são explorados espaços com mesas redondas e que facilitem as discussões e dinâmicas da metodologia ativa.

Como utilizar a sala de aula invertida na sua IES

Os encontros presenciais tornam-se um espaço para os alunos trabalharem com problemas, avançarem conceitos e se envolverem na aprendizagem colaborativa. Por outro lado, os alunos com dificuldades de aprendizagem caminham em ritmo próprio, participando destes mesmos grupos colaborativos. As trocas e debates são muito ricos para a aprendizagem.

O ensino híbrido (ou blended learning) é um tipo de metodologia ativa que combina atividades online e offline. A sala de aula invertida encaixa-se nesse conceito. Logo, pode utilizar diversos recursos para promover a aprendizagem.

Entre eles, é possível destacar:

  • vídeos;
  • posts em blogs e sites;
  • e-books;
  • podcasts;
  • games;
  • fazer exercícios online;
  • webinares;
  • fóruns e grupos de discussão

 

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A interação com a tecnologia permite que os professores utilizem diferentes estratégias de sala de aula invertida.

Conheça algumas alternativas interessantes para o seu dia a dia

>> Discussão orientada: primeiramente, indicada para atividades contextualizadas, como história, geografia, antropologia ou sociologia. Pode fazer uso de vídeos explicativos no estilo TED Talks, artigos de jornais e revistas ou outra fonte de informação que possa servir como atividade preparatória. O tempo de aula é, então, dedicado à discussão e exploração de um assunto específico.

>> Foco em demonstração: disciplinas de ciências exatas, como química, física e matemática, são as mais favorecidas com essa abordagem. Como em geral exigem a fixação de conceitos e fórmulas, o uso de conteúdos demonstrativos (animações, passo a passos, vídeos e webinares) permite que o aluno possa repeti-los quantas vezes for necessário, favorecendo, que ele aprenda no próprio ritmo.

>> Aula virtual: por fim, com o aumento das disciplinas a distância, essa forma de sala de aula invertida tem substituído muitos encontros presenciais. Todo o estudo e a apresentação dos conteúdos acontecem por meio de plataformas online, e os alunos recebem instruções de seus professores-tutores de acordo com suas necessidades pessoais e demandas de aprendizado.

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sala-de-aula-invertida-grupo

Foto: Pexels

Qual a função do professor na sala de aula invertida?

O professor neste contexto é quem seleciona os conteúdos que os alunos devem estudar em um momento pré-aula. Estes conteúdos devem ser hospedados em uma plataforma digital ou enviado por e-mail para os alunos. Desta forma eles poderão se preparar antes da aula.

No momento da sala de aula o professor utiliza de um layout da sala com mesas em círculos com o intuito de fomentar o debate. Em seguida, começa a explorar os temas fazendo perguntas sobre os conteúdos que foram estudados. O aluno tem contato com desafios práticos, e decisões que precisam ser trabalhadas em conjunto, desta forma eles conseguirão participar ativamente das aulas.

Em resumo, ao invés de trazer as respostas prontas aos alunos, na sala de aula invertida é ele que fomenta a discussão na intenção de problematizá-las a partir de uma situação prática.

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Veja três dicas sobre como escolher e preparar o conteúdo para aplicar na sala de aula invertida:

1. Planeje com rigor

Em primeiro lugar, a escolha do conteúdo deve ser resultado de um processo que começa pelo planejamento. Ou seja, jamais deve-se agir por impulso. Assim, a gestão da IES precisa analisar atentamente os temas e os melhores formatos para cada curso.

É importante, também, levar em conta a ementa e o perfil dos estudantes, garantindo a segurança  sobre o que será transmitido no ambiente virtual de aprendizagem escolhido.

O planejamento contempla, também, a dinâmica das aulas. A estratégia, aqui, é deixar um “gostinho de quero mais” ao fim de cada lição, instigando o estudante ao próximo encontro virtual.

Para o melhor planejamento, atente aos seguintes aspectos:

  • Defina os objetivos principais;
  • Avalie qual é a metodologia mais adequada para abordar os temas das aulas e promova a melhor aprendizagem;
  • Prepare materiais como infográficos, apresentações, videoaulas, conteúdo complementar;
  • Estabeleça o período de tempo das aulas;
  • Desenvolva métodos avaliação precisos.

2. Estruture o conteúdo de maneira didática

A estruturação do conteúdo começa pelo uso de uma linguagem de fácil assimilação. Para isso, entretanto, é fundamental entender quem é o público-alvo (a persona a ser atingida) e falar a língua dele. É possível introduzir informalidade sem comprometer a qualidade do conteúdo e, assim, melhorar a compreensão de assuntos complexos.

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Além de diversificar as formas de expressão, vale a pena ser criativo no modo como o conteúdo será apresentado. Um exemplo é pedir aos alunos que analisem materiais encontrados em sites, séries ou filmes. Outro processo que gera boa adesão é a criação de narrativas para explicar os conteúdos.

O conhecimento, aliás, não precisa ser apresentado de maneira dura; basta que haja interação (mesmo que a distância) entre professor, aluno e conteúdo.

Por fim, ao incorporar o dia a dia dos estudantes nos conteúdos, o aprendizado se tornará ainda mais real e efetivo.

3. Atente para a autonomia

Leve em consideração o tempo, o espaço e tudo que é necessário para a preparação e a assimilação de cada conteúdo na sala de aula invertida. Além disso, o aluno de educação a distância parte do pressuposto de que é possível realizar o curso de qualquer lugar e no horário que for mais conveniente a ele.

Significa que ele poderá estudar num café lotado ou numa noite com péssima conexão de internet. Por razões assim, os materiais devem priorizar o fácil acesso e a simples navegação. Isso possibilitará, também, que o estudante consiga fazer o seu próprio caminho de aprendizagem.

Por fim, considere, também, a utilização de chats e fóruns. Esses recursos podem se revelar poderosos aliados  na hora de apresentar conteúdos mais refinados ou assuntos específicos. Eles ajudam, ainda, a tirar dúvidas com rapidez e fomentam a confiança do aluno no sistema de aprendizagem – e, de quebra, na IES.

 

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