Sala de aula invertida: quais as diferenças da metodologia tradicional?

28 setembro, 2018

Por que utilizar a sala de aula como local de exposição de conteúdo? Já pensou nela como um local de discussões e troca de conhecimento? Esta é a proposta da sala de aula invertida.

Em resumo, a ideia é que os alunos aprendam o conteúdo em casa e no momento presencial, participem de atividades diversificadas. Tudo isso estruturado a partir do conceito de metodologia ativa.

Nos últimos 30 anos, a educação vem passando por constantes transformações. São decorrentes, principalmente, da era digital e da popularização do acesso ao conhecimento. Em um mundo hiperconectado, é natural, sobretudo, o surgimento de novas demandas. Os hábitos, interesses e necessidades dos alunos estão incluídos nesse cenário, fazendo com que o mercado educacional precise evoluir.

As metodologias de aprendizagem ativa estão entre as principais ferramentas para promover a modernização do ensino. Entre as várias metodologias possíveis, um modelo amplamente utilizado é a sala de aula invertida – ou flipped classroom. O conceito, que não é novo, passou por uma transformação, tornando-se acima de tudo um dos meios mais eficientes para alçar o aluno ao centro do processo aprendizagem e construção de conhecimento.

Leia também:
:: Metodologias ativas: o que são, quais as mais famosas e como aplicar

Como surge a sala de aula invertida

A primeira vez que a experiência do tipo ocorreu foi em 1996, na Universidade de Miami, nos Estados Unidos. Os professores observaram que o modelo de ensino tradicional era incompatível com o estilo de aprendizagem de alguns alunos e decidiram modificar o processo.

Em vez de os conteúdos serem apresentados em sala de aula, eles eram fornecidos para que os alunos estudassem em casa – criando uma “inversão” da dinâmica tradicional. Assim, o tempo em sala de aula passou a ser usado para a realização de outras atividades criativas, que incentivassem os estudantes a compartilhar suas construções individuais sobre tema.

aulainvertida

Fonte: Google Educator

A metodologia se assemelha ao uso de debates e resoluções de problemas em grupo. Ou seja: se antes a conversa paralela entre os estudantes era um problema, agora ela se transformava em parte do processo educativo. Ao buscar uma solução coletivamente, os alunos demonstravam o quanto estavam engajados em seu próprio aprendizado.

Atualmente, o flipped classroom é um dos modelos de aprendizagem ativa mais populares, apreciado tanto por alunos quanto por professores.

Diferenças entre a sala de aula invertida e a tradicional

A principal diferença entre as duas formas de aprendizagem é que na sala de aula tradicional, a realização de atividades e exercícios são direcionados pelo professor. No caso da sala de aula invertida os alunos ficam em grupos de trabalho discutindo o que já foi estudado fora da sala de aula. Assim o professor tem um papel de facilitador e mediador, fomentando a discussão e não de protagonista.

Foto: Pexels

Vantagens da metodologia

A vantagem de inverter a sala de aula é a autonomia que é dada ao aluno. Nesse sentido, eles vivenciam os problemas e discutem a melhor forma de resolvê-los. Usam na atividade prática o entendimento de conceitos e definições.

Em comparação com um espaço de sala de aula tradicional (um aluno atrás do outro), este não promove uma interação colaborativa entre os alunos, fazendo com que eles não se enxerguem e dificultando a interação e a comunicação em um debate, por exemplo. Em síntese, na sala de aula invertida, são explorados espaços com mesas redondas e que facilitem as discussões e dinâmicas da metodologia ativa.

Como utilizar a sala de aula invertida na sua escola

Os encontros presenciais tornam-se um espaço para os alunos trabalharem com problemas, avançarem conceitos e se envolverem na aprendizagem colaborativa. Por outro lado, os alunos com dificuldades de aprendizagem caminham em ritmo próprio, participando destes mesmos grupos colaborativos. As trocas e debates são muito ricos para a aprendizagem.

O ensino híbrido (ou blended learning) é um tipo de metodologia ativa que combina atividades online e offline. A sala de aula invertida encaixa-se nesse conceito. Logo, pode utilizar diversos recursos para promover a aprendizagem.

Entre eles, é possível destacar:

  • vídeos;
  • posts rm blogs e sites;
  • e-books;
  • podcasts;
  • games;
  • exercícios online;
  • webinares;
  • fóruns e grupos de discussão

 

Veja uma oferta completa que aponta para o modelo ideal de Ensino Híbrido, independente do momento da sua Instituição de Ensino: quero implementar o Ensino Híbrido na minha IES!

 

A interação com a tecnologia permite que os professores utilizem diferentes estratégias de sala de aula invertida.

Conheça algumas alternativas interessantes para o seu dia a dia

>> Discussão orientada: primeiramente, indicada para atividades contextualizadas, como história, geografia, antropologia ou sociologia. Pode fazer uso de vídeos explicativos no estilo TED Talks, artigos de jornais e revistas ou outra fonte de informação que possa servir como atividade preparatória. O tempo de aula é, então, dedicado à discussão e exploração de um assunto específico.

sala-de-aula-invertida-grupo

Foto: Pexels

>> Foco em demonstração: disciplinas de ciências exatas, como química, física e matemática, são as mais favorecidas com essa abordagem. Como em geral exigem a fixação de conceitos e fórmulas, o uso de conteúdos demonstrativos (animações, passo a passos, vídeos e webinares) permite que o aluno possa repeti-los quantas vezes for necessário, favorecendo, que ele aprenda no próprio ritmo.

>> Aula virtual: por fim, com o aumento das disciplinas a distância, essa forma de sala de aula invertida tem substituído muitos encontros presenciais. Todo o estudo e a apresentação dos conteúdos acontecem por meio de plataformas online, e os alunos recebem instruções de seus professores-tutores de acordo com suas necessidades pessoais e demandas de aprendizado.

Leia também:
:: Conteúdo EAD que foge do óbvio: veja o que está bombando

Qual a função do professor na sala de aula invertida?

O professor neste contexto é quem seleciona os conteúdos que os alunos devem estudar em um momento pré-aula. Estes conteúdos devem ser hospedados em uma plataforma digital ou enviado por e-mail para os alunos. Desta forma eles poderão se preparar antes da aula.

No momento da sala de aula o professor utiliza de um layout da sala com mesas em círculos com o intuito de fomentar o debate. Em seguida, começa a explorar os temas fazendo perguntas sobre os conteúdos que foram estudados. O aluno tem contato com desafios práticos, e decisões que precisam ser trabalhadas em conjunto, desta forma eles conseguirão participar ativamente das aulas.

Em resumo, ao invés de trazer as respostas prontas aos alunos, ele fomenta a discussão na intenção de problematizá-las a partir de uma situação prática.

Você pode se interessar também:
:: Ensino híbrido: o que é, como fazer, tendências | Guia definitivo

Acompanhe a seguir três dicas sobre como escolher e preparar o conteúdo para aplicar a sala de aula invertida.

1. Planeje com rigor

Em primeiro lugar, a escolha do conteúdo deve ser resultado de um processo que começa pelo planejamento . Ou seja, jamais deve-se agir por impulso. Assim, a gestão da IES precisa analisar atentamente os temas e os melhores formatos para cada curso.

É importante, também, levar em conta a ementa e o perfil dos estudantes, garantindo a segurança  sobre o que será transmitido no ambiente virtual de aprendizagem escolhido.

O planejamento contempla, também, a dinâmica das aulas. A estratégia, aqui, é deixar um “gostinho de quero mais” ao fim de cada lição, instigando o estudante ao próximo encontro virtual.

Para o melhor planejamento, atente aos seguintes aspectos:

  • Defina os objetivos principais;
  • Avalie qual é a metodologia mais adequada para abordar os temas das aulas e promova a melhor aprendizagem;
  • Prepare materiais como infográficos, apresentações, videoaulas, conteúdo complementar;
  • Estabeleça o período de tempo das aulas;
  • Desenvolva métodos avaliação precisos.

2. Estruture o conteúdo de maneira didática

A estruturação do conteúdo começa pelo uso de uma linguagem de fácil assimilação. Para isso, entretanto, é fundamental entender quem é o público-alvo (a persona a ser atingida) e falar a língua dele. É possível introduzir informalidade sem comprometer a qualidade do conteúdo e, assim, melhorar a compreensão de assuntos complexos.

Além de diversificar as formas de expressão, vale a pena ser criativo no modo como o conteúdo será apresentado. Um exemplo é pedir aos alunos que analisem materiais encontrados em sites, séries ou filmes. Outro processo que gera boa adesão é a criação de narrativas para explicar os conteúdos.

O conhecimento, aliás, não precisa ser apresentado de maneira dura; basta que haja interação (mesmo que a distância) entre professor, aluno e conteúdo.

Por fim, ao incorporar o dia a dia dos estudantes nos conteúdos, o aprendizado se tornará ainda mais real e efetivo.

3. Atente para a autonomia

Leve em consideração o tempo, o espaço e tudo que é necessário para a preparação e a assimilação de cada conteúdo. O aluno de educação a distância parte do pressuposto de que é possível realizar o curso de qualquer lugar e no horário que for mais conveniente a ele.

Significa que ele poderá estudar num café lotado ou numa noite com péssima conexão de internet. Por razões assim, os materiais devem priorizar o fácil acesso e a simples navegação. Isso possibilitará, também, que o estudante consiga fazer o seu próprio caminho de aprendizagem.

Por fim, considere, também, a utilização de chats e fóruns. Esses recursos podem se revelar poderosos aliados  na hora de apresentar conteúdos mais refinados ou assuntos específicos. Eles ajudam, ainda, a sanar dúvidas com rapidez e fomentam a confiança do aluno no sistema de aprendizagem – e, de quebra, na IES.

 

Quer se aprofundar no tema Ensino Híbrido ainda mais?
Convidamos um especialista para falar em um Webinar sobre o assunto e para desvendar todas as dúvidas que você pode ter relacionados a temática. 


Quero aprender do planejamento às práticas do Ensino Híbrido!


Compartilhar

RELACIONADOS

A Educação a Distância
no Contexto Atual:
50 temas EAD, 50 dias.

 

Este eBook é um compilado do conteúdo discutido
por centenas de profissionais da área da
educação, que debateram 50 temas relacionados
à EaD, durante 50 dias em fóruns online.